quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

OBREIROS FOGO DE PALHA

Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? (Jesus Cristo)

Para nós brasileiros, a expressão "fogo de palha" se refere a algo que faz muito barulho, ao estrépito de gravetos que queimam, às labaredas que alumiam a noite, ao fogo que chama a atenção de todo mundo, mas logo acaba. Geralmente os ministérios tipo "fogo de palha" vêm envolvidos numa aura ou mística de muito dinamismo, com aparência de poder, com a proclamação de milagres e de façanhas, com métodos alternativos, mas que deixam pouco ou nenhum resultado profícuo, nem nas pessoas nem no próprio ministro.
Nenhum ministério por "fogo de palha" se torna, se estiver centralizado no chamamento divino. Quando eu tinha dezessete anos, recordo-me da experiência que tive com o Senhor na noite de 25 de fevereiro. Daquele momento de oração e consagração veio a certeza de que Deus estava vocacionando-me para o ministério e nada me deteria. Pode ser que realizemos coisas que, aos olhos dos mais experientes pareçam criancices, mas se tivermos convicção de que Deus nos chamou para o ministério, nenhum impedimento nos deterá. Anos depois quando minha denominação exigiu que eu trabalhasse exclusivamente para seus interesses e que deixasse de aceitar convites para ministrar noutros grupos da cidade e do país, a chamada para o ministério falou mais alto, o entendimento de que era obreiro de Jesus e não de homens pesou nas minhas decisões, e optei por ser ministro de Jesus Cristo a serviço de seu corpo, a igreja. A decisão que tomei levou-me a conhecer com maior profundidade a igreja e servir ao corpo de Cristo de forma mais ampla.
Eis aqui algumas orientações para que você analise o ministério que está realizando. 

Formando um pedigree

Permita-me usar a palavra pedigree. Não é a mais apropriada para referir-se a raiz ou fundamentação na igreja local, já que ela se refere ao certificado de pureza de cavalos e cães, mas ilustra o que quero dizer. O obreiro precisa ter raízes na igreja local, pois ali está o registro de seu "documento" de origem; é na localidade que o registro de "nascimento" de um obreiro é carimbado.  Sempre gosto de ouvir comentários sobre determinado obreiro cujo ministério esteja em evidência no país e no exterior, coisas como: "Ah, o fulano... era um moço fiel em nossa congregação; sempre dedicado ao Senhor, tinha um bom testemunho...", mas me arrepio ao ouvir comentários nada recomendáveis: "O fulano, converteu-se em nossa igreja, auxiliava nos trabalhos da juventude, deixou uma moça grávida, não reconhece sua filha; nunca aceitou a disciplina da igreja e hoje é evangelista internacional...". Aqui temos o exemplo do que quero dizer sobre pedigree. O primeiro, tem uma certidão que mostra sua linhagem pura, o segundo não tem certidão alguma.
Timóteo tinha raízes comunitária. Paulo vê no moço um obreiro em potencial. "Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego; dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio" (At 16.1-2 - grifo do autor). Timóteo tinha bom testemunho tanto da igreja de Listra como de Icônio. Esse "bom testemunho" é o pedigree do obreiro.
A raiz comunitária não vem apenas pelo testemunho, mas pelo tempo de vivência na igreja local. Foi este também o caso de Timóteo. Ele era da cidade, crescera entre aquelas pessoas e ali estava frutificando para Deus. Aprendi no decorrer dos anos que não se deve tomar como obreiro alguém que não tenha raiz na igreja local. É comum uma pessoa sair de uma cidade para outra, por motivos de trabalho ou estudo e logo ser indicada para alguma tarefa na nova igreja que passa a freqüentar. Sempre que se procede assim, navega-se num mar de problemas, pois o obreiro precisa criar raízes na localidade e na igreja. Ele é como árvore enraizada, firme, inabalável, prezado por todos. Todos na igreja e na sociedade o vêm com bons olhos. Seu nome é limpo no comércio, tem bom testemunho na empresa ou na escola. Seu caráter é por todos observado.
Falando de caráter, diz um autor: "Os gregos clássicos identificaram quatro virtudes cardeais: a sabedoria (ou prudência), a coragem, a temperança, a justiça. Essas são quatro virtudes do caráter e foram chamadas de virtudes cardeais da lei natural, porque se acham em muitos sistemas de ética e de comportamento moral." 1
Se você tem um chamamento de Deus para o ministério, é necessário criar raízes numa igreja local. Lamentavelmente nossas igrejas e pastores não possuem um bom sistema de treinamento de obreiros na igreja da localidade e, logo que alguém se converte é enviado para um seminário teológico para aprender a Palavra. O treinamento deve ser na igreja, o aperfeiçoamento teológico pode ser feito num Instituto Bíblico ou seminário. Vejamos o caso do pastor José, nome fictício que uso para esconder sua verdadeira identidade. José me procurou, aos quarenta anos de idade, com três filhos na adolescência, frustrado ministerialmente. Eis sua história. No seu tempo de jovem, ele era o boy da cidade. Fazia "rachas" com seu potente carro, vivia na noite e todos conheciam sua fama de playboy. No entanto, José se converteu numa igreja da cidade, o que causou estranheza na população.
Dois meses depois de convertido ele foi enviado para o seminário de sua denominação, longe dali, onde estudou quatro anos. O jovem ministro, nunca tivera experiência da vida congregacional; jamais conviveu com os demais crentes, nem foi discipulado na fé por seu pastor. Este foi o primeiro erro daquela igreja: enviar uma pessoa recém convertida para o seminário. (Alguns seminários distorcem e corrompem, ao invés de formar e treinar). Logo que se formou, a denominação cometeu o segundo erro, tão comum e que causa tantos prejuízos. Mandou o jovem José, agora recém-casado com uma seminarista, ela de uma família nobre de outro estado, para uma cidadezinha na divisa do Amazonas com a Colômbia. Lá foram começar uma nova obra denominacional. Apesar da inexperiência o casal saiu-se muito bem, levantando uma igreja naquela cidade. Mas, sair de uma cidade próxima à capital, São Paulo, e residir num lugarejo longe de tudo é como mudar de país, enfrentar outra cultura, e o casal, sem sequer estar adaptado à nova realidade, deveria provar à sua Convenção de que era um homem chamado por Deus.
E quando buscou aconselhamento comigo, confessou: "Eu nunca tive certeza do chamamento, apenas fui enviado para o seminário!". Seu próximo pastoreio foi na direção geograficamente oposta: enviaram-no para o extremo sul do Brasil. Outra cultura. E foi lá que ele me procurou. Estava frustrado. Não tinha profissão. Convertera-se e fora logo para o seminário. Não sabia fazer coisa alguma. Se deixasse o ministério iria vender apólices de seguro ou livros de porta em porta. A única coisa que sabia fazer era pão. Pedi-lhe, então que fizesse pães e os vendesse no final das reuniões da igreja em que eu pastoreava. E começou a sobreviver. Depois voltou à sua cidade de origem. Divorciou-se e deve viver frustrado em algum lugar do Brasil. De quem é a culpa? Da igreja. Quantos pastores, frustrados ministerialmente, não têm como sobreviver por não terem habilidades profissionais? Paulo sabia fazer tendas e as vendia para seu sustento!
José teria sido de grande bênção na sua cidade se ao menos, durante uns quatro anos fosse discipulado, vivesse a vida comum congregacional, participasse das atividades locais, e somente depois, convicto de que era vocacionado é que deveria ser enviado à uma instituição de ensino, isto se a igreja não dispusesse de meios de treinar e prepará-lo para a aventura ministerial. Ele nem teve tempo de dar seu testemunho entre os de sua geração, seus colegas de farra; teria sido mais proveitoso discipulá-lo e mantê-lo na igreja local do que enviá-lo para um seminário. José não teve tempo de formar seupedigree na vida da igreja. Ou o mínimo que a denominação deveria fazer era devolvê-lo formado à igreja da cidade em que se converteu; solução que evitaria tantos problemas ao jovem convertido. Ele voltaria às suas raízes e não teria enfrentado tantos problemas na vida.
Muitos jovens logo que se convertem, em vez de serem acompanhados na igreja local - e aqui igreja local é qualquer grupo estabelecido num bairro de qualquer cidade - serem discipulados e orientados, ingressam nas diversas organizações para-eclesiásticas e se formam obreiros sem raízes, trabalhadores sem base local, produtores sem pedigree, desconhecendo o funcionamento e a vida da igreja de Jesus Cristo, reproduzindo-se conforme sua espécie noutras pessoas. Alguns pastores acreditam que deve haver, pelo menos, um período de dois anos, depois da conversão, antes que um jovem se decida por algum treinamento extra-igreja, seja de que tipo for.
Por isso é importante que o obreiro tenha o testemunho de todos os que convivem na igreja da localidade. Jamais esqueci o que aconteceu comigo. Toda minha vida de jovem foi em Porto Alegre, no entanto, obedecendo ao Senhor fui morar no Estado do Rio na casa de um pastor, pais de Otoniel e Oziel. O velho Antônio de Paula tinha treze filhos, doze dos quais estavam em casa. Eu era o filho branco da família. Aquele homem recebeu-me com todo amor e deu-me lugar à mesa entre os da família. Dois anos depois, quando fui designado pela congregação local para ser consagrado pela Convenção do Estado, uma junta da Convenção, sem que eu soubesse, passou dois dias na cidade, investigando meu comportamento. Aqueles pastores visitaram o comércio, estiveram na casa dos membros da igreja, e inquiriram sobre minha vida, única condição para ser aprovado ministerialmente. Quando recebi imposição de mãos para o santo ministério em Niterói, R. J. os líderes ali presentes sabiam sobre quem estavam impondo as mãos designando para o ministério. Se uma averiguação fosse feita na vida de muitos que se dedicam ao ministério, não seriam aprovados, porque jamais viveram a vida comum da igreja da localidade.

O exemplo apostólico

Os apóstolos precisaram estabelecer parâmetros, desde cedo na escolha de novos obreiros. No momento de decidir quem ocuparia a vaga deixada por Judas, optaram por escolher alguém que tivesse acompanhado o ministério de Jesus, desde os dias do batismo de João e que tivessem testemunhado também a sua ressurreição. Dois homens, José e Matias estiveram presentes desde o início, conheceram a João Batista, estiveram com Jesus, mesmo não sendo dos Doze, e preencheram os quesitos apostólicos para ocupar a vaga deixada por Judas. Apesar de haverem escolhido Matias, é Barsabás, ou José que é visto colaborando na igreja nos anos seguintes. Logo após o Concílio da igreja em Jerusalém, Barsabás foi escolhido ao lado de Silas (At 15.26-27). No entender dos irmãos, Judas (José ou Barsabás) e Silas eram "homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo..." pois "Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram" (At 15.26,32). Não tenho dúvidas de que tanto José quanto Silas foram contemporâneos de Jesus. Tantos haviam se convertido desde o Pentecoste, mas os irmãos colocaram critérios de escolha sobre os novos obreiros, priorizando os que haviam conhecido ao Senhor.
A comunidade dos discípulos soube escolher seus diáconos. Os apóstolos estabeleceram os parâmetros de conduta: "homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria" (At 6.2-3). Das qualidades acima, a reputação é a única que não se adquire numa semana, adquire-se durante os anos de vivência numa localidade. Os frutos de uma pessoa não aparecem logo que ela se converte. Uma série de fatores nos levará a entender se uma pessoa frutificou ou não. Se você é um jovem, quer entrar no ministério, mas não tem raízes comunitárias, aconselho-o a criar raízes numa igreja local, ser discipulado, trabalhar para ganhar seu sustento e criar reputação, coisas estas que o qualificam para o ministério.
Quando a igreja em Jerusalém precisou de um homem para acompanhar o nascimento da nova comunidade na cidade de Antioquia, escolheu a Barnabé. Por que ele? "Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé" (At 11.22-24). Barnabé tinha bom testemunho na cidade de Jerusalém. "José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos" (At 5.36-37). Barnabé tinha raízes em Jerusalém. Tinha pedigree local. Fazia parte da igreja desde seu começo, e, possivelmente teria conhecido a Jesus.
 O próprio João Marcos, o jovem a quem Paulo não quis levar na segunda viagem missionária causando enorme desentendimento com Barnabé, tinha o que decidi chamar de pedigree, ou raiz comunitária. Na casa de sua mãe a igreja se reunia e estava em oração na noite em que Tiago foi morto à espada, e Pedro mantido na prisão (At 12.12). Marcos estava acostumado às lides da igreja, sua mãe era mulher fiel, seu primo, Barnabé, ativo na igreja de Jerusalém; por isso, na primeira oportunidade Barnabé o levou juntamente com Paulo para uma viagem missionária (At 13.5). Ele auxiliava a Paulo e Barnabé. Lamentavelmente, e a Escritura não menciona a causa, João Marcos decidiu voltar para Jerusalém, causando um problema sério no relacionamento entre Paulo e Barnabé, assunto que trato neste livro. No fim da vida de Paulo, no entanto, João Marcos está ao lado daquele que o desprezou; ao lado de Paulo, solicitado que foi a prestar ajuda ao apóstolo dos gentios (Cl 4.10 e 2 Tm 4.11).
Portanto, busque criar raízes na localidade. Os apóstolos levavam a sério esse detalhe. Os presbíteros por eles escolhidos eram homens da cidade. Não se vê na igreja do Novo Testamento essa transferência de pastores todos os anos de lugar para lugar. Cada cidade tinha líderes da própria cidade. Os apóstolos entendiam que o líder deveria ser levantado na própria cidade. Um líder local conhece os costumes e o jeito de ser do povo. Ele consegue evangelizar e treinar discípulos porque tem relacionamentos na cidade. Conhece o barbeiro, o funcionário dos Correios, o dono da loja, o gerente do Banco, o dono da sapataria, o garçom, o restaurante, o diretor da escola de seus filhos, o delegado, o prefeito, etc. Ele é gente do povo, da cidade, e através dos seus relacionamentos consegue levar muitas pessoas a buscarem a Deus. E fala a língua do povo; conhece suas gírias e seus bairrismos.
Submeta-se ao líder de sua igreja. Não se torne um free-lancer, pessoa que faz as coisas sozinho, sem consultar ninguém. Muitos desses pregadores que andam mundo à fora estão sem supervisão pastoral, independentes, porque nunca aprenderam que é na vida congregacional que aprendemos a servir a Deus e aos irmãos. Acabei de mencionar João Marcos, que acompanhou a Barnabé e a Saulo como auxiliar. Ele estava em Jerusalém desde o início, sua casa era centro de reuniões, e alguns dizem que o jovem a quem tentaram prender na noite em que Jesus foi preso e que fugiu desnudo, depois que lhe tiraram o lençol no qual estava enrolado, teria sido João Marcos. Se isso for verdade, vêmo-lo ainda garoto, acompanhando de perto os acontecimentos daqueles dias. Barnabé estava no início de tudo, e tornou-se um dos apóstolos da igreja. E quantas mulheres foram usadas por Deus, algumas presentes desde o início do ministério de Jesus. Aquelas referidas em Lucas 8, fazem-se presentes no dia da crucificação, na ressurreição e no Pentecoste.
Argumentam alguns, usando as palavras de Paulo, que não precisam "consultar carne e sangue" (Gl 1.16), esquecendo-se que, o caso de Paulo é exceção. Depois de convertido, realmente não sobe para Jerusalém; afasta-se durante certo tempo e vai para as regiões da Arábia, ainda transtornado com o que lhe acontecera na estrada de Damasco. Para a maioria dos comentaristas, é durante esse tempo de recolhimento que ele tem a revelação do evangelho, o arrebatamento de 2 Coríntios 12, por isso pôde dizer: "porque eu não o recebi (referindo-se ao evangelho), nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo" (Gl 1. 12). Paulo podia se expressar dessa forma, hoje, no entanto, seguimos as diretrizes espirituais e de caráter estabelecidas pelo próprio Paulo no que se refere ao ministério.
Se um obreiro não consegue submeter-se ao seu pastor local, terá muitas dificuldades em submeter-se mais tarde à direção do próprio Espírito Santo. Se ele não aprender e não desenvolver um espírito de submissão, alimentará, imperceptivelmente, uma imensa dificuldade em relacionar-se com os demais colegas de ministério. As heresias que surgiram no seio da igreja desde os primeiros séculos, têm aí suas raízes; vieram por pessoas que não souberam ouvir os mais velhos nem se submeteram às autoridades da igreja. E alguns desmandos financeiros de certos pregadores têm aí sua raiz.
Nunca busque resultados imediatos. A vida ministerial é como certas plantas, cujos frutos levam anos para aparecer. Certas semeaduras produzem logo, como o feijão, o arroz e o trigo - rapidamente colhidos e consumidos, e precisam ser plantados, ano após ano; mas, determinadas árvores frutíferas demoram anos para que seus frutos apareçam, e depois frutificam regularmente a cada estação do ano. A videira produz uva todos os anos, seus ramos velhos e retorcidos - alguns com quase um século de vida brotam sistematicamente, de quando em quando, e a safra de seus vinhos são sempre as melhores. A oliveira, antiga e castigada pelas intempéries, como algumas que pude ver no Oriente Médio, floresce todos os anos, produzindo o melhor azeite. Não devemos nos apressar em querer mostrar trabalho e frutos; estes aparecerão de qualquer maneira; bons ou maus, serão colhidos e aproveitados, ou lançados fora nos anos vindouros.
Se seu ministério não influenciar positivamente sua geração, mas deixar impregnado nela a nódoa da mentira, da falsidade, do egoísmo, da inveja, do adultério, da prostituição e do amor próprio, será como o fruto azedo de uma árvore que não pode ser apreciado, mas lançado fora. No entanto, se marcar a sua geração - e não estou me referindo a reconhecimento nacional - a vida daqueles que o conhecem e que estão ao seu lado, será planta frutífera que produz fruto apreciado por todos. Logo, não se apresse. Como falei anteriormente, o mesmo Deus que o chamou, o recompensará.
Muitos jovens ministros querem "mostrar trabalho", especialmente os que anelam o ministério itinerante. Deixe-me acentuar uma verdade nesse ponto: o ministério itinerante tem que ser analisado seriamente à luz das Escrituras sob o enfoque do ensino apostólico. Nenhum ministério pode começar fora da igreja da localidade, e nenhum ministério itinerante é válido se o obreiro não estiver submisso à liderança da igreja local, ou se por ela não for enviado ou apoiado. Há muitos pregadores soltos, sem referencial congregacional, que a ninguém prestam contas, seja ao pastor da localidade, ao ministério da igreja, ou à sua ordem de ministros, buscando uma oportunidade de pregar em nossas igrejas; homens que não se acanham em forçar a "barra", isto é, buscar, por si mesmos, lugares para pregar e fazer conferências. Como falei anteriormente, os homens de Deus estão sempre com a agenda lotada.
Alguns ministros itinerantes têm o respaldo denominacional e pregam dentro da própria denominação; outros, entretanto, não têm respaldo algum, nem da denominação a que pertencem nem das igrejas da localidade. A esses sugiro que examinem a fundamentação de seu ministério à luz do ensino do Novo Testamento, especialmente nas cartas de Paulo, e criem raízes na cidade, antes de se aventurarem no trabalho itinerante.
Por último, se você pensa em enriquecer pela via ministerial, está totalmente equivocado, e não entendeu o chamamento divino nem a dimensão do propósito de Deus. Os dons que Deus nos concedeu não têm como objetivo o benefício próprio, mas a edificação dos outros. A vida ministerial é de despojamento contínuo, é uma vida de entrega diária, de morte, de negação do eu, das riquezas e da fama. Trilhar pelo caminho ministerial pensando em enriquecimento é um grande equívoco. Aliás, viver a vida cristã, independentemente de ser um ministro do evangelho ou não, pensando em enriquecimento, é um desvio do propósito de Cristo e de seu evangelho; é andar na contramão de Deus, pois todo crente deveria obedecer ao evangelho de Cristo, fugindo da ganância, do desejo de se enriquecer, e viver a vida cristã dentro dos moldes do evangelho. A teologia da prosperidade não encontra respaldo nos ensinamentos de Cristo. Há uma prosperidade que vem pelo evangelho, e por ela somos brindados todos os dias.
Seu ministério será fogo de palha, se não estiver alicerçado na vida da igreja local, se não estiver submisso a pastores ou aos órgãos da igreja, se não estiver fundamentado nas Escrituras e no ensino apostólico, e se você não tiver a quem prestar contas. Esses parâmetros, certamente servirão de orientação à sua vida ministerial.  (João A. de Souza Filho)

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